Festa de Oxóssi

Por João Marcelo Carvalho

Participar de uma festa do candomblé foi uma experiência única. Como baiano, soteropolitano, tinha que ter vivenciado isso uma vez na minha vida, foi chegado e vivenciado da melhor maneira possível, como expectador. Quinta-feira, 12 de novembro de 2009, festa de Oxossi, no terreiro do Gantois, cheguei cedo e fiquei esperando a festa começar, meio sem saber o que iria ver, curioso e ansioso ao mesmo tempo. Chegada à hora da festa, o terreiro se abre e um salão, muito bem enfeitado, cheio a folhas de arruda espalhadas por todo o chão, mostra que o ambiente espera realmente por uma festa, festa essa que irá reverenciar o orixá.

Homens se mantêm de um lado e mulheres do outro, assim começa a festa no terreiro. Apesar da festa ser de Oxossí, há uma reverência no começo a todos os orixás, através da batida dos tambores, da dança das filhas da casa e da fé de cada um que cantam e acompanham da sua maneira. Terminando a saudações de todos orixás em geral, começam as manifestações e um direcionamento voltado à Oxossí, o anfitrião do dia.

A maneira como os filhos do terreiro se vestem, dançam e recebem os convidados e adeptos, são extremamente organizados, levando à saudação constante – através do gesto de tocar no chão e atrás da cabeça -, e também a reverenciar a Mãe da casa, que se destaca ao sentar em sua poltrona específica, e todos te pedem a benção deitando e se ajoelhando aos seus pés, sendo que a benção pedida por uma mulher é diferente da do homem. As filhas de santo entram vestidas de baianas, com jarros floridos na cabeça e começam a incorporar Oxossí, junto aos filhos que também começam a incorporar e são acompanhados por “ajudantes”, tornando a festa mais mística e transbordando fé, por parte de todos que participam.

Está em contato com o novo é algo que sempre me atraiu, me permitir participar de uma manifestação religiosa diferente de tudo que tinha visto é enriquecedor, não só na construção do profissional de jornalismo, mas também da minha personalidade. O candomblé me desarmou de preconceitos que tinha para com o mesmo, e me mostrou que a fé é algo a qual todo ser humano tem que ter, seja ela da maneira que for, na crença que tiver que ser, mas tem que lhe proporcionar o bem estar, para com si próprio e o mundo quem nos cerca.

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