Visita ao Terreiro Gantois

Por Vilma Souza

A visita a um terreiro de Candomblé, para quem passou a vida toda só ouvindo falar  mal do lugar e de quem freqüenta essa religião, não é uma missão fácil, mesmo para uma pessoa que não seja simpatizante de nenhuma outra religião.

Fisicamente o terreiro é um espaço amplo, higiênico e pintado na cor branca, representando a paz talvez, no dia da visita a festa estava sendo oferecida para o Orixá Oxossi, por isso estava ornamentado na cor azul e tinha a imagem de arco e flecha que só vim verificar depois que é porque esse orixá é o “Deus da caça” e vive nas florestas.

Logo na entrada os visitantes foram orientados a passar álcool nas mãos, não sei exatamente se isso tem a ver com as doutrinas da religião ou se é simplesmente precaução, pela quantidade de pessoas que têm acesso ao local. As mulheres e os homens devem sentar-se em lados opostos, algo que não me lembro de ter visto em nenhum outro templo religioso.

Confesso que imaginava que fosse sentir medo, mas ao contrário dos meus pres- supostos, o que toda aquela cerimônia passa é emocionante e curioso não só para seus adeptos como para quem está só em visita. A batida dos atabaques que devem sempre ser tocados por homens de acordo informações de um filho de santo que nos acompanhou no dia da visita, dão ao evento um toque especial transformando aquele momento em algo diferente. A energia que o ambiente passa nada tem a ver com espíritos ruins como sempre se ouve as pessoas falando, pelo contrário é uma energia mais positiva que negativa.

Foram reverenciados quatorze Orixás, cada um com sua música e seu ritmo, os movimentos feitos pelas mulheres que dançavam eram diversos, às vezes levavam as mãos para baixo, reverenciando o orixá, outros movimentos para o lado e para cada troca de música beijava-se  o chão ou tocava-se. Essa maneira de reverenciar um orixá beijando o chão chama atenção porque no Brasil as religiões costumam reverenciar um Deus no Céu, aliás, o que eles acreditam que esteja na terra seja justamente a força do mal, talvez por isso os adeptos do Candomblé sejam acusados de pregar o mal.

Infelizmente não é possível entender o que diz as músicas porque é uma linguagem típica da religião e só quem freqüenta pode entender, mas ouvir  claramente cantando uma música para Iemanjá.  Um dos momentos que considerei mais bonito e emocionante foi o retorno das mulheres com vasos de flores nas cabeças, a imaginação que se tem é de que eles realmente só querem passar tranqüilidade e não o mal como costuma falar.

O respeito que se tem pela Mãe de Santo  é impressionante, pessoas chegavam a deitar no chão para beijar seus pés pedindo proteção.

Diante do que vi, acredito que o que se passa dentro de um Candomblé não é a adoração a um espírito mal e sim a procura da paz, não sei se faltou ver mais alguma situação que me levasse a entender de outra maneira, mas até onde vi é uma cerimônia muito bonita e

que por isso atrai tantas pessoas,  o local estava lotado para uma quinta feira.

Independente de qualquer crença, a festa é bonita, emocionante e interessante, se entre eles há alguém cultuando o mal, é o que menos importa para definir uma religião como certa ou errada, já que em qualquer templo religioso vai existir sempre alguém cultuando o mal, mas a maioria o bem, e é isso que importa, e essa crença por algum Deus é que dá sentido a vida das pessoas. Agora sei o que ocorre, mesmo que superficialmente, numa cerimônia num Terreiro de candomblé e afirmo que se havia algum preconceito sobre essa religião foi por água abaixo naquela noite.

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