Não era para ver

Por Rose Vitório

Localizado na Rua Mãe Menininha do Gantois, no bairro da Federação, está o templo da mãe Pulchéria, Mãe das Mães dos Gantois. Antecessora de mãe Menininha que foi escolhida na infância pelos santos do candomblé como mãe-de-santo do terreiro, a que dita às regras e comanda todo o funcionamento da casa nos rituais. Com intuito de observar o comportamento dos adeptos ao candomblé para apenas execução de uma atividade acadêmica, visitei pela primeira vez no dia 12 de novembro um culto do candomblé.

Na entrada do terreiro fies e visitantes são recebidos por um homem, dito como guardião do templo,percebo que  a cor da roupa do guardião e dos fies e filhos da casa tem algo em comum na sua tonalidade,  em sua grande maioria estavam vestidos de azul e branco. Com um  gesto de saudação os filhos da casa gantois e fiéis adentram o templo com um leve toque sobe a testa e a nuca, o ambiente todo enfeitado em tons azuis e brancos como a dos fies, chamou a minha  atenção, observo ao meu redor com a inquietação  em saber o porque da igualdade, e logo tenho a resposta através dos banes espalhados com dizeres em exaltação ao orixá da noite, roupas utilizadas pelas filhas de santo como as de baiana de acarajé porém até  caprichadas, nas  esculturas de todo o templo,  traduzem que  o “rei” da noite  ossosi. De forma bastante particular os filhos de santo recebem os visitantes na entrada do tempo, com gel em frasco onde   pareceu-me uma espécie de  “purificação” para todos que chegam, aplicando uma pequena quantidade   na palma da mão. Homens e mulheres são separados, cada um vai para um lado do terreiro. O Toque do atabaque anuncia que é chegado o momento  da reverencia ao orixá, me levantei e fiquei na expectativa, afinal já que pela atividade eu  esta ali, seria descuido perder algum detalhe; Filhas de santo e iniciantes dançam todo o tempo canções de matrizes africanas, a falta de afinidade com as músicas aumenta a minha sensação de angustia, são diversas canções para cada orixá que mudam juntamente como o comportamento corporal, das filhas de santo, em movimentos sempre circulares, ora lento, ora rápido e com uma descida ao chão as filhas enfatizam a reverência. Uma senhora cujo é nomeada mãe Carmem está sentada no “trono” uma cadeira com assento branco que ficava num local parecido com um nicho ( nicho: cavidade ou em vão ou em parede ou muro para colocar estátua, imagem ou qualquer objeto ornamental) numa posição hierarquizada como se fosse o papa dando a ostia  no dia da missa de galo, a mãe Carmem da a benção aos fiéis. Com tempo já preparado para vinda do orixá as filhas de santo saem do terreiro com    uma faixa vermelha, juntamente com alguns homens que vão se vestir para ossosi. Noto que  algumas mulheres e alguns homens mudam o semblante e dançam de forma bem diferente do inicio do culto, fico alerta para  entender melhor este momento de transação. Continuando a dança as filhas de santo e os quatro homens que pareciam representar ossosis retornam ao salão para continuarem o culto, agora de forma mais frenética dão pista de  que o orixá já está presente. Antes mesmo da demonstração da performance de ossossis no salão já com sua roupa personificada como falou um adepto do candomblé  ao meu lado   num tom baixo, para uma amiga que visitava pela primeira vez também, mas com  bastante afinidade com  religião;  o relógio  me alerta ás  22:00 horas,um tanto tarde para o culto que deu inicio com atraso de duas horas, e  infelizmente  sou “obrigada” a me retirar do salão um  ambiente nada familiar para mim.

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