A chegada dos negros na Bahia

Por Claudimeire Meneses

O Povo baiano surgiu de três povos. Os primórdios índios que já habitavam no Brasil a milhares de anos, os Portugueses que chegaram com a intenção de dominar essa terra chamada Brasil e a entrada dos negros africanos, trazidos contra a vontade para o país. A chegada dos negros na Bahia se deu aproximadamente entre 1549 e 1550.

Os Africanos foram trazidos para o Brasil de forma desumana, muitos amordaçados e amarrados, amontoados, sem direito a ter direitos, muitas dessas famílias foram desfeitas nesse período. Os portugueses viam os negros como substitutos dos indígenas escravizados, até então, viam como mercadoria, mão de obra barata ou sem custo algum. O tráfico de escravos gerava muito dinheiro para toda a Europa. As colônias como o Brasil, eram obrigadas a comprá-los, todos trazidos de toda a parte da África. Para a Bahia, foram vendidos filhos da África desde o Senegal, Angola, Moçambique, passando por outros povos, como o Congo, Nigéria, entre outros.

Foi um período de muito sofrimento. Os escravos eram responsáveis por todo trabalho braçal realizado nas fazendas. Eles viviam em senzalas, lugar que ficavam presos quando não estavam trabalhando e faziam o serviço, sem direito a descanso, de sol a sol, dia após dia. A vida útil do escravo adulto, por causa da dureza dos trabalhos e da precariedade da alimentação, não passava de 10 anos e seus filhos eram seus substitutos.

Qualquer deslize era motivo para as mais horríveis punições que, muitas vezes, levavam esses escravos até a morte. Para fugir de todos esses sofrimentos, alguns deles se suicidavam, outros matavam seus feitores e ainda tinham os que fugiam para os quilombos, que geralmente eram localizados em lugares de difícil acesso e lá, os escravos viviam em liberdade, produziam seus alimentos, fabricavam roupas, móveis e instrumentos de trabalho, cultivavam também as crenças, as tradições e os costumes africanos. O adultério, o roubo e o homicídio eram punidos com a severa pena de morte. Alguns escravos que não conseguiam chegar até o quilombo, eram capturados no meio do caminho pelos capitães-do-mato, responsáveis pela captura dos Africanos, onde eram remunerados pelo seu trabalho.

Na alimentação e na religião, o Brasil e principalmente a Bahia, sofreu uma grande influência Africana. Podemos perceber isso em dois aspectos: nos ingredientes e no modo de preparar os pratos.  Misturando os condimentos encontrados no país, os escravos improvisavam receitas e o sabor de novos temperos.

Através do intercâmbio de mercadorias, feito por traficantes e comerciantes portugueses, novos ingredientes saíram da África e chegaram ao Brasil, como a banana, o coco, o camarão seco, o dendezeiro, a erva doce, o gergelim, a galinha-d’angola, o inhame, o quiabo e algumas pimentas, como a malagueta por exemplo.

Na religião, o Candomblé e a Umbanda são heranças dos Africanos, que mesmo com todas as proibições, os escravos faziam seus rituais, realizavam suas festas e danças e mantiveram suas representações artísticas, até em forma de luta, como a Capoeira por exemplo. Na Bahia, o modo de falar com alguns dialetos e as vestimentas coloridas com turbantes, são exemplos de influências deixadas pelos negros.

Segundo informação encontrada no site História da Bahia, oficialmente, a última entrada de negros africanos no estado baiano se deu em 1852, na Ilha de Itaparica.

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